• VPR destaca impacto dos recursos marinhos na economia nacional


    A Vice-Presidente da República, Esperança da Costa, destacou o impacto dos recursos marinhos na economia angolana, ao referir que oitenta por cento da renda nacional sai dos recursos do mar e dos rios.

    Esperança da Costa, que discursava, sexta-feira [20.03.2026], na cerimónia de lançamento da obra científica intitulada “Espécies Marinhas Mais Frequentes na Costa Angolana", referiu que, no domínio económico, Angola retira benefícios significativos do mar e dos oceanos, com um peso de cerca de 80% do rendimento nacional a provir de actividades marítimas, fluviais e lacustres.

    Para além do petróleo e gás, Angola desenhou uma estratégia de diversificação económica que assenta em vários pilares, com diferentes estágios de maturidade nos sectores da Pesca, Aquicultura e Sal, que têm registando crescimento assinalável ao longo dos anos, referiu a Vice-Presidente da República.

    Outros sectores cruciais são o Turismo Costeiro que vai beneficiar de Investimento público em infraestruturas, o sector de Transportes e Logística Portuária aliado ao Comércio e Serviços, clusters importantes para contribuição no PIB nacional, e a extensa costa atlântica de Angola, caracterizada por uma vasta e notável diversidade biológica e por ecossistemas marinhos de grande relevância ecológica, científica e económica.

    Angola, referiu, elaborou a sua estratégia nacional do Mar, alinhada a Estratégia do Mar da União Africana, visando, entre outros objectivos, a diversificação da estrutura económica nacional, aumentar o emprego e qualificação profissional do Mar, promover o conhecimento científico, reforçar o seu papel no contexto internacional e regional nas políticas marítimas, promover e garantir o bom estado ambiental do meio marinho e a gestão sustentável dos recursos biológicos.

    Década Crucial para os Oceanos

    Na sua intervenção, a Vice-Presidente da República referiu que o mundo se encontra numa década crucial para os oceanos, em que por um lado os novos usos do espaço marítimo potenciam a economia e o crescimento azul, mas, por outro, se espera que a ciência e a tecnologia contribuam para a conservação e recuperação de ecossistemas oceânicos e dos seus recursos. Para que tais objectivos de conservação e de sustentabilidade se atinjam a nível global, Esperança da Costa defende que cada região e cada Estado elaborem as respectivas Estratégias Nacionais para o Mar.

    Nas últimas décadas, prosseguiu a Vice-Presidente da República, a crescente importância da temática sobre os Oceanos e a ela associada à nova Economia do mar veio consolidar a nível global o conceito de Crescimento azul, privilegiando o desenvolvimento da actividade marítima de vários sectores, como o dos transportes, o da mineração, petróleo e gás, turismo costeiro, aquacultura, biotecnologia ou energias renováveis, que podem potenciar o crescimento da economia marítima tradicional, fomentar o emprego e contribuir de modo determinante para o desenvolvimento sustentável.

    Ao mesmo tempo, sublinhou, cresceu a preocupação global com a protecção, conservação e a sustentabilidade dos oceanos face as crescentes ameaças dos impactos das alterações climáticas, perda da biodiversidade, degradação de habitats em particular dos corais e dos ecossistemas costeiros de mangais, razão pela qual as Nações Unidas proclamam em 2017 a década das Nações Unidas da Ciência dos Oceanos para o Desenvolvimento sustentável, para o período 2021-2030.